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É autismo, e agora? Onde buscar ajuda para pessoas com autismo? Receber o diagnóstico do autismo pode ser impactante no começo, seja de pais que recebem os de seus filhos, ou até mesmo de adultos diagnosticados tardiamente.  Afinal, apesar da conscientização para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhar forças nos dias atuais, ainda há muitas […]

Guia de Pai

É autismo, e agora? Onde buscar ajuda para pessoas com autismo? Receber o diagnóstico do autismo pode ser impactante no começo, seja de pais que recebem os de seus filhos, ou até mesmo de adultos diagnosticados tardiamente. 

Afinal, apesar da conscientização para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganhar forças nos dias atuais, ainda há muitas dúvidas sobre como prosseguir e também como driblar os mitos que dificultam o aprendizado de informações e até busca por caminhos para o desenvolvimento 

Mas calma, estamos aqui para ajudar! Neste texto vamos orientar você a como procurar ajuda para pessoas no espectro, entender quais são as terapias indicadas para autismo e o porquê se tornam tão importantes para o desenvolvimento da pessoa com TEA.

É autismo? 

Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que impacta habilidades sociais e outros comportamentos do indivíduo, além de trazer dificuldades na interação social, mudando a forma como aquela pessoa percebe e se comunica com o mundo. 

O TEA engloba diferentes características, afinal, nenhuma criança é igual a outra. 

Entretanto, há dois sinais muito comuns que podem ser identificados: a dificuldade na interação e comunicação social, e também a presença de padrões de comportamentos restritos e repetitivos. 

Existem outros sinais que podem alertar aos pais para entender se é autismo ou não, e são eles: 

  • Ecolalia – quando a criança repete várias vezes palavras ou frases, mas sem a intenção de comunicar algo;
  • Dificuldade com rotinas;
  • Fixações intensas e fascinações direcionadas – principalmente objetos;
  • Presença de estereotipias – quando a criança apresenta comportamentos repetitivos; 
  • Dificuldade em se expressar, com poucas expressões faciais e gestos;
  • Dificuldade em olhar diretamente para as pessoas;
  • Atraso ou dificuldade no desenvolvimento da fala.

Esses são alguns dos sinais, mas nem todas as pessoas do espectro vão apresentar exatamente essas características. Por exemplo: há crianças que possuem um desenvolvimento motor esperado de acordo com as fases do desenvolvimento, apenas com sutilezas de inadequações no comportamento. Enquanto os casos mais graves os sintomas são mais visíveis, facilitando a identificação.

Como procurar ajuda para autismo?

Após receber o diagnóstico, é muito comum que o próprio profissional que acompanhou a criança, e que conclui que ela está no espectro, oriente e indique profissionais qualificados para acolher o núcleo familiar naquele momento. 

Para as crianças, geralmente, o profissional procurado é o neuropediatra, mas outros profissionais que acompanham o desenvolvimento, como pedagogos, por exemplo, podem enxergar os sinais de autismo e orientar os pais a procurarem os profissionais especializados, como Terapeutas Ocupacionais, Fonoaudiólogos, Psicólogos, etc.

Já o autista adulto, pode perceber esses sinais ao se identificar com personagens de séries e filmes, ou até mesmo ser orientado por pessoas próximas para procurar ajuda. 

O que é o caso do ator famoso Anthony Hopkins, onde sua esposa o incentivou a pesquisar mais sobre o TEA e entender que algumas das suas características poderiam ser sinais de uma pessoa atípica.

Anthony Hopkins recebeu o diagnóstico de TEA aos 71 anos. E em nosso blog já falamos sobre famosos que estão no espectro.

Quais profissionais acompanham a pessoa com TEA?

As Intervenções ocorrem com uma equipe multidisciplinar composta normalmente por profissionais da: psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, pedagogia e neuropediatra. 

É muito importante conhecer o profissional que fará parte desse processo de desenvolvimento, e entender se ele se adapta à realidade do momento em que você ou sua criança vive. 

Cada criança e família são únicas, por isso, as atividades para a evolução de seu filho devem ser escolhidas e direcionadas especialmente para vocês. A criança pode aprender e um tratamento adequado certamente será capaz de proporcionar a você e sua família uma melhor qualidade de vida.

O que cada profissional faz?

A pessoa com TEA precisa do apoio profissional para melhorar a qualidade de vida, além de melhorar a comunicação, a concentração e diminuir os movimentos repetitivos.

Para um processo de desenvolvimento infantil, é indicado que seja feito com uma equipe composta por médico, psicoterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, que indicam terapias específicas para cada paciente, e muitas vezes devem ser feitas por toda vida. 

Além disso, cuidados com a alimentação e atividades, como musicoterapia, também podem contribuir muito para a melhora dos sintomas. Vale lembrar que essas práticas são baseadas em evidências científicas, ou seja, elas funcionam de verdade e são muito importantes para o desenvolvimento da pessoa autista. 

Fonoaudiologia

O acompanhamento com o fonoaudiólogo é importante para melhorar e desenvolver a comunicação verbal e não verbal da criança com o espectro autista com outras pessoas, e a desenvolver a fala (em casos de atraso). Durante as sessões são realizados diversos exercícios que podem ajudar a criança a aumentar o seu vocabulário e melhorar a entoação da voz, podendo ser realizados jogos e brincadeiras para atrair a atenção da criança. Além de ajudar na hora da alimentação, levando a criança a mastigar e engolir melhor. 

Terapia Ocupacional 

Foca nas singularidades de cada criança, e tem como objetivo promover, manter e desenvolver habilidades necessárias para que as crianças consigam se adaptar de forma funcional ao dia a dia e diferentes ambientes. Profissionais da T.O. podem ajudar a criança a desenvolver: autonomia, autoestima, autoconfiança, auto regulação, interação social, pois, muitas vezes, pessoas com TEA têm alguma limitação: física, sensorial, mental, psicológica e social.

Terapia ABA 

Uma das práticas mais indicadas por especialistas e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). As estratégias e técnicas usadas nas intervenções baseadas em ABA para o TEA têm como objetivo reduzir comportamentos desafiadores para a pessoa e ensinar habilidades essenciais para seu desenvolvimento.

Orientação parental

Como o próprio nome já diz, o contato é feito diretamente com a pessoa cuidadora, onde o profissional orienta as famílias em diversas áreas que afetam a criança. Esses atendimentos favorecem a relação entre pais e criança com TEA e potencializam o desenvolvimento da criança.

O SUS ajuda as pessoas com autismo?

E os direitos das pessoas com autismo na saúde? Independente de ser da rede pública ou privada, toda família merece ter acesso ao diagnóstico e intervenções necessárias. Além disso, também são direitos: 

  • Sessões ilimitadas de terapias;
  • Atendimento sem carência estendida;
  • Medicação gratuita;
  • Reembolso de planos de saúde;
  • Realização do atendimento dentro do prazo.

No Brasil existem leis que apoiam as famílias com filhos no espectro, as duas mais conhecidas são:

Institui os direitos dos autistas e suas famílias em diversas esferas sociais. Dentro dessa lei, pessoas com o transtorno de espectro autista são consideradas deficientes, por isso a lei assegura a utilização de serviços da Assistência Social – no município onde reside – e possibilita o direito à educação com atendimento especializado.

Lei Romeo Mion cria a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA (CipTEA), que garante a todos aqueles com o diagnóstico de autismo um documento que possa ser apresentado para informar a condição do indivíduo. O nome foi inspirado em Romeo Mion, filho adolescente do apresentador de TV Marcos Mion. 

Embora a pessoa diagnosticada com autismo possua o direito de frequentar a escola conforme a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), é comum que famílias encontrem algumas dificuldades. Pesquise a melhor opção para seu filho e trabalhe em conjunto com os professores para garantir o cuidado que ele merece.

Além dessas Leis, existem benefícios que auxiliam, como: Benefício da Prestação Continuada (BPC), redução na carga horária de trabalho e outros que reduzem as dificuldades encontradas no cotidiano. Conheça os direitos das famílias aqui.

Post originalmente postado no blog da Genial Care.

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