Elói D’Ávila, fundador da Flytour | Pais que você deveria conhecer
Como pai, dois pequenos detalhes me deixam particularmente chateado: não dizer bom dia quando minha filha de 3 anos acorda e não dar um...

Como pai, dois pequenos detalhes me deixam particularmente chateado: não dizer bom dia quando minha filha de 3 anos acorda e não dar um beijo de boa noite quando ela vai dormir.

Naquele dia eu estive ausente da sua vida e isto representa um pequeno fracasso da minha. Estar presente é um dos meus KPIs de sucesso. E este fracasso não é só meu.

Agora, quando as festas de final de ano se aproximam, muitos pais se dão conta que mais um ano se passou. Seu filho espera aquele presente, mas você perdeu o seu, pois virou passado.

Neste ano, presenciei, emocionado, alguns grandes empreendedores pedindo desculpas por isso a seus filhos diante de plateias lotadas. De todas as histórias, a do Elói D’Ávila de Oliveira é mais épica.

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Se havia alguém para dar errado no Brasil, ele deveria estar no topo da lista. Sua família vivia de favor em um sítio em Esteio, Rio Grande do Sul, e Elói D’Ávila ficou órfão de mãe quando tinha um ano e nove meses.

Ele e seus 14 irmãos perderam o pai logo em seguida. Foi morar com sua irmã, que, aos 14 anos, era casada com um alcoólatra. Ainda criança, era obrigado a vender pastéis nas ruas de Porto Alegre e, depois, a comprar cachaça para o seu cunhado, que o agredia durante suas bebedeiras.

Humilhado, fugia de casa, mas era pego e enviado de volta, onde a violência se repetia. Isto só piorou sua timidez e gagueira. Fugiu novamente e pegou caronas rumo a São Paulo. Foi parar na cidade catarinense de Mafra, onde trabalhou em uma padaria.

Em certo momento, deixou cair alguns pães no chão e recebeu um soco na boca, perdendo todos os dentes da frente.

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Tinha 9 anos! Fugiu mais uma vez e conseguiu chegar a São Paulo. Vendia jornais, lavava carros e pedia esmolas. Quando tinha dinheiro, dormia em albergues, quando não, ficava na rua.

Aos 12 anos, decidiu ir para o Rio de Janeiro. Começou a lavar e guardar carros em frente ao Copacabana Palace. Com pena, os funcionários do hotel o apresentaram para a agência de viagens Stella Barros.

Conseguiu um emprego de office boy. Mas logo a Vovó Stella descobriu que Elói era um menino de rua. Em vez de mandá-lo embora, permitiu que passasse a dormir na agência. E mais, pagou dentista para consertar seus dentes e o ensinou a falar, comer e escrever já que ele nunca tinha ido a uma escola.

Mas Elói D’Ávila teve que voltar para São Paulo para ficar perto da sua irmã, que tinha se mudado de Porto Alegre. Trabalhou na Bradesco Turismo e depois nas Linhas Aéreas Paraguaias. Poucos anos depois, em 1971, abriu um negócio para vender passagens aéreas.

Hoje sua empresa, a Flytour, é a maior em seu segmento no Brasil, tendo faturado R$ 3,1 bilhões com a venda de 8,2 milhões de trechos aéreos e 2 milhões de diárias de hotel em 2011.

Henry, Elói, Antoinette, Eloí e Christiano Oliveira (falta apenas o quarto filho, Fábio Oliveira, que cuida das franquias)

Henry, Elói, Antoinette, Eloí e Christiano Oliveira (falta apenas o quarto filho, Fábio Oliveira, que cuida das franquias)

Era esse o pai que pedia desculpas aos filhos naquela noite. Mas acho que seus filhos não aceitaram o pedido. Não havia o que desculpar. Filhos de empreendedores reconhecem, em algum momento de suas vidas, que seus pais não estavam ausentes porque estavam trabalhando.

Eles estavam construindo seus sonhos, batalhando por seus ideais e ajudando a vida de outras pessoas.

Lembrei de Vik Muniz, que pensou em buscar um emprego “normal” quando seu filho nasceu e ainda era um artista desconhecido. Mas felizmente chegou à conclusão de que a única coisa que seu filho não o perdoaria é de ter desistido de fazer o que gosta.

E eu me sentia muito grato em ter conhecido o Elói D’Ávila naquele momento em que não estava dando um beijo de boa noite em minha filha.

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Publicado em sex, 29/07/2016
Prof. Marcelo Nakagawa
Um Papai Babão que é pesquisador, professor, consultor, investidor, voluntário e colunista de temas associados ao empreendedorismo e inovação. Tenta ajudar, dentro de suas possibilidades e capacidades, a desenvolver empreendedores inovadores no Brasil.

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