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O Transtorno do Espectro Autista não é uma doença, e sim um transtorno neurodivergente, portanto não possui cura. Apesar de não podermos tratar o autismo, é possível intervir com terapias para que a pessoa tenha melhor qualidade de vida, como aprimorar a comunicação, a concentração e diminuir os movimentos repetitivos que podem competir com a aprendizagem.

Guia de Pai

Para um tratamento eficaz e seguro, é indicado que seja feito com uma equipe multidisciplinar ou transdisciplinar, composta por profissionais da saúde que indicam terapias específicas para cada indivíduo, as quais muitas vezes devem ser feitas por toda vida. 

A equipe pode ser composta de:

  • Médico;
  • Fisioterapeuta;
  • Psicoterapeuta;
  • Terapeuta Ocupacional;
  • Fonoaudiólogo.

Neste artigo, vamos falar sobre práticas com embasamento científico, que são pautadas na ciência ou baseadas em evidências científicas, ou seja, que entregam resultados seguros e mensuráveis, que fazem toda diferença para a trajetória de desenvolvimento da pessoa autista.

Tratar o autismo com práticas baseadas em evidências

Práticas baseadas em evidências é um termo usado para determinar um conjunto de procedimentos, para os quais os pesquisadores forneceram um nível aceitável de pesquisa, sendo capaz de provar que a prática produz resultados positivos para crianças, jovens e ou adultos com TEA.

Terapia ABA

Análise do Comportamento Aplicada (ABA do inglês Applied Behavior Analysis), é a parte prática (ou aplicação) baseada na ciência do comportamento da Análise do Comportamento (AC).

A terapia ABA no autismo foca em promover o ensino de novas habilidades e reduzir comportamentos desafiadores, como as crises, ou os que colocam em risco a integridade física, como agressão e autoagressão. 

Ela pode ser aplicada por diversos profissionais, como psicólogos, professores, pediatras, e todos os profissionais que tenham a certificação ABA para promover essa especialidade. 

Dentro dessa prática, há pontos principais para acompanhar a pessoa no espectro: 

  • Desenvolver um estudo individual (conhecer rotina, núcleo, famílias, habilidades adquiridas ou não);
  • Elaborar estratégias (que possam ajudar no desenvolvimento);
  • Medir o progresso (partilhar com a família); 
  • Promover a generalização (habilidades são aplicadas na vida diária e em todos os contextos que a pessoa está inserida). 

Fonoaudiologia

O profissional de fonoaudiologia desempenha importante papel na inclusão e reabilitação da pessoa com autismo. A fonoaudiologia no autismo é uma das áreas que atua no desenvolvimento da criança no espectro, contribuindo para tratar o autismo e reduzir os impactos do TEA. 

Ao trabalhar diretamente na audição e fala, o tratamento com a fonoterapia ajuda a criança a ampliar as habilidades comunicativas, facilitando a sua interação social com qualidade, gerando interação social. 

Além disso, auxilia na qualidade de vida quando se trata de problemáticas envolvendo a: deglutição (ato de engolir), respiração e mastigação. Esses profissionais também auxiliam a cuidar do atraso da fala, a seletividade alimentar, além de outras demandas. 

Terapia Ocupacional

A terapia ocupacional no autismo tem o objetivo de promover, manter e desenvolver habilidades necessárias para que as crianças consigam se adaptar de forma funcional ao dia a dia e em diferentes ambientes, como em casa e na escola, por exemplo. 

O desenvolvimento da autonomia da criança em atividades da vida diária (AVDs), também é uma especialidade da terapia ocupacional. Dentro disso, algumas das principais que a T.O. busca ensinar para a criança são:

  • Ir ao banheiro;
  • Arrumar o cabelo;
  • Colocar os sapatos;
  • Escovar os dentes;
  • Tomar banho.

Focando nas singularidades de cada criança e entendendo seu desenvolvimento físico, emocional, sensorial e cognitivo, a terapia ocupacional ajuda em diversos momentos importantes para a criança, seja ela atípica ou neurotípica.

Musicoterapia

A musicoterapia é uma prática terapêutica que ajuda pessoas com autismo a se desenvolverem em diversas áreas como a interação social, comunicação vocal e não-vocal, entre outras.

Ela garante melhor qualidade de vida para as pessoas autistas, e estimula o desenvolvimento da vocalização e fala, pois os estímulos sensoriais abrandem o processamento auditivo, reconhecimento e discriminação de sons, entre outros.

Exercícios físicos

A prática de exercícios físicos é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pessoa. Para a criança atípica, criar uma rotina de atividades físicas faz toda a diferença para desenvolver habilidades cognitivas na infância. 

Além dos relacionados ao desenvolvimento físico e motor, os exercícios físicos ajudam também a ampliar a comunicação social, a autoestima e a regulação da rotina.

Equoterapia

A equoterapia – terapia assistida com cavalos – tem sido estudada como uma prática que pode ajudar no desenvolvimento de crianças com o diagnóstico de autismo. Entre seus benefícios, está a socialização e integração emocional e educacional de quem está no espectro.

A equoterapia para autismo ainda não é uma prática baseada em evidências (vamos falar sobre isso logo abaixo), mas existem muitos estudos e pesquisas (inclusive do Brasil – UNICAMP e USP) que defendem quão benéfico é ter o acompanhamento dessa terapia, sendo capazes de promover a estimulação ao tato, ao sistema vestibular (responsável pela manutenção do equilíbrio) e a compreensão do próprio corpo.

Orientação parental

Apesar de ter acompanhamento de profissionais qualificados para tratar o autismo, muitas vezes a criança autista apresenta comportamentos desafiadores quando está em casa com a família. Por isso, a orientação parental também é muito importante e grande aliada para encontrar soluções em momentos de crise.

As pessoas cuidadoras têm o importante papel em ajudar essas crianças a aprender e se desenvolver, orientando e ensinando habilidades e comportamentos que ajudarão na vida. Por isso, os pais já são os professores mais naturais, independentemente de qualquer tratamento.

Além de ser grande aliada para a criança, essa orientação auxilia as famílias em como agir em situações desafiadoras, a adaptar a rotina, aprender práticas que podem ser incluídas no dia a dia, como as brincadeiras de integração sensorial, por exemplo. 


Post originalmente postado no blog da Genial Care.

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