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Quando a birra se torna um transtorno psiquiátrico

Quando a birra se torna um transtorno psiquiátrico

Sentir raiva, perder um pouco o controle, irritar-se vez ou outra ainda que “por motivos não muito sérios”, faz parte de todos nós humanos, sejamos adultos ou crianças.

Sim, crianças também podem ter seus momentos de raiva, indignação e irritação e isso começa muito, muito cedo, quando ainda se é um bebê. São as chamadas “birras infantis”.

O problema, no entanto, começa quando estas birras começam a tornar-se graves e contínuas. É aí que devemos nos preocupar pois a criança pode estar desenvolvendo o Transtorno Opositivo desafiador- TOD e precisará ser tratada.

O Transtorno Opositivo Desafiador é um Transtorno Neuro Psiquiátrico, que está dentro de um grupo de Transtornos Comportamentais Destrutivos da infância, sendo mais comum na pré-adolescência e na adolescência, porém, pode surgir antes destas fases.

O TOD é uma condição responsável por comportamentos que são completamente restritivos em ambientes sociais. As crianças e os adolescentes incluídos neste quadro, costumam manifestar momentos de raiva, insubordinação, teimosia constante, hostilidade, sentimento de vingança e uma grande dificuldade em obedecer a regras quando solicitadas.

É fundamental saber diferenciar o TOD de uma situação cotidiana. A "birra”, é um comportamento imaturo e transitório da criança, na procura de expressar o que ela está sentindo ou conseguir o que ela quer, sendo mais comum em crianças com idades  entre 10 meses e 2 anos e normalmente estes episódios, passam antes dos 4 anos, principalmente quando os pais dão menos importância.

 O que difere o Transtorno Opositivo Desafiador da “birra” é que o TOD caracteriza a criança como sendo sempre muito irritável, opositora e que o tempo todo, com ou sem motivo, faz de tudo pra irritar os outros. É uma criança que não reconhece regras.

Ela é sempre do contra, está sempre testando limites, não se importa com o sentimento dos outros, está sempre contra a família, amigos e não assume a responsabilidade dos seus erros, além de não ter medo de punição, fazendo com que tenha maior probabilidade de se envolver com drogas ou apresentar comportamentos ilícitos mais tarde.

Devido a este tipo de comportamento estas crianças acabam sofrendo bullying por diversas vezes e/ ou perdendo oportunidades de eventos de escola, passeios e até amizades. Infelizmente até mesmo entre os pais e irmãos, eles são mal falados, tratados diferentes e vistos como “ovelhas negras”

Estudos mostram que em 50% dos casos, a associação com o TDAH é frequente e deve ser observada e investigada, além de deficiência intelectual, transtorno Bipolar e muitos outros quadros, os quais pode-se fazer o diagnóstico diferencial.

As Causas:

Quanto ao TOD, não se tem uma causa definida, mas acredita-se que a base dos relacionamentos familiares parece ser um fator importante para o desenvolvimento do distúrbio: violência doméstica, abuso sexual, abuso físico, negligência, abuso de álcool e drogas pelos pais, bem como conflitos familiares, podem desencadear o transtorno na criança.

Para fechar um diagnóstico correto é necessário ter no mínimo 6 meses de causa e apresentar pelo menos 4 dos sintomas principais que são: Irritabilidade; Comportamento desafiador; Agressividade; Impulsividade; Dificuldades de relacionamento com colegas; Comportamento vingativo; Raiva e Ansiedade.

O tratamento deste Transtorno é interdisciplinar e depende de três bases: Medicação, Psicoterapia comportamental e Suporte Escolar.

A medicação ajuda na maioria dos pacientes e melhora a auto regulação de humor frente às frustrações; a Psicoterapia tende a centrar em alterações comportamentais na família com medidas de manejo educacional (conversar com a criança, dar bons exemplos, ter paciência ao falar, explicar o motivo das ordens dadas, etc.); e, em relação ao Suporte escolar, deve-se oferecer reforço, apoio e abertura para um bom diálogo, pois esta abertura melhora o engajamento do aluno opositor às regras escolares.

Se o seu filho tem TOD, aí vão umas dicas: 

- Tenha cuidado ao discutir algo da relação de casal perto da criança (caso more c/ o cônjuge)                                                                                                                                    

– Nunca use de agressividade e Violência;
– Fortaleça a autoestima da criança, fazendo-a sempre se superar em boas ações;
– Em absolutamente todas as situações utilize a boa conversa;
– Trabalho em equipe com Práticas de esportes e atividades em equipe geram disciplina, assim como, cooperação e dinamismo;
– Repreender sempre, porém, com calma e sabedoria;
– E tenha Paciência!
 

Papo de Pai
Dra. Gladys Arnez - Clínica Neurocenterkids
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Dra. Gladys Arnez é médica Pediatra e Neurologista Infantil e da Adolescência, especialista em Transtornos Escolares e Comportamentais, mestranda em Neurociências com ênfase em autismo e está à frente da Clínica Neurocenterkids, em São Paulo.

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