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Por que os homens são mais vulneráveis ao suicídio?

Por que os homens são mais vulneráveis ao suicídio?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados cerca de 12 mil casos de suicídio todos os anos no Brasil e mais de 800 mil em todo o mundo. Segundo dados do Boletim Epidemiológico publicado no ano de 2019 pelo Ministério da Saúde, as taxas de suicídio no Brasil aumentaram em 10% entre os anos de 2011 e 2017. E vocês querem saber qual o perfil mais vulnerável? Vamos lá: 79% dos casos são homens.

Bom, começo dizendo a vocês que o suicídio não é e não pode ser tratado como uma questão puramente associada à patologias psíquicas. É uma questão de saúde pública e que envolve fatores econômicos, sociais, culturais, entre outros. O que acontece é que inclusive os transtornos mentais são atravessados pelo meio em que vivemos. Exemplos disso são a depressão que afeta 5,8% da população brasileira e a ansiedade chegando a 9,3%.

E o que isso tem a ver com a masculinidade? Não é por acaso que os dados são alarmantes e que os homens compõem 79% dos casos de suicídio. Desde muito cedo, os homens são ensinados a vestir uma máscara de ferro como sinal de força e de resistência. Há um modo de ser homem, modo esse que nega todo o contato possível com as emoções e com a sensibilidade.

Ao crescer, esse modelo fica ainda mais cristalizado. Uma sociedade que exige o sucesso individual a qualquer custo, ajuda a montar o modelo de homem que deve buscar um ideal de performance física, financeira e sexual bem sucedida para ser aceito ter “uma boa vida”.

Em outras palavras, há um homem ideal. Esse homem não falha, não erra, não sente, não perde, não se envolve, está livre de afetos. O problema é que esse homem, assim como eu descrevi, não existe. O ideal cai. E a partir disso, para alguém que desde sempre aprendeu que para ser aceito deveria trancafiar as emoções, não pedir ajuda e a resolver tudo sem reclamar, as possibilidades de saída ficam mais restritas.

Como alguém que não pode falhar elabora uma traição, a demissão, a falta de dinheiro, episódios de impotência sexual? Normalmente, a culpa, frustração, tristeza e sofrimento aparecem mascarados por episódios intensos de raiva, de perda de controle, a entrega aos vícios, agressividade consigo mesmo e nas relações, comportamentos de alto risco, entre outros também socialmente aceitos como “coisa de homem”.

E quais seriam então, as outras possibilidades? Eu diria que é importante questionar esse modelo ideal de homem. Se permitir sentir, tirar a máscara de ferro, destrancar o baú das emoções e saber que não precisa carregar tudo (e mais um pouco) sozinho. Para isso, é preciso que se construa espaços em que a fala e a troca verdadeira sejam ferramentas para a construção de relações mais saudáveis consigo e com o outro, seja ele a família, os amores e os amigos. Isso também é prevenção de suicídio.

Papo de Pai
Caroline Mello
Caroline Mello Seguir

Sou psicóloga de atuação na área clínica e pesquisadora da violência doméstica e da construção do feminino e do masculino na contemporaneidade.

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