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O que a trágica morte de Flávio Migliaccio pode nos ensinar?

O que a trágica morte de Flávio Migliaccio pode nos ensinar?

Nós do Papo de Pai focamos nossas atenções em falar dos aspectos mais diversos do "ser pai". Seja na educação do seu pequeno, na conduta correta de um babão exemplar ou oferecendo notícias relevantes sobre o universo da paternidade, buscamos auxiliar na evolução de nossos leitores como seres humanos.

Apesar disso, nem sempre conseguimos abordar temas positivos, a vida muitas vezes nos prega peças e faz com que tenhamos que discutir assuntos mais densos e obscuros. 

O que a trágica morte de Flávio Migliaccio pode nos ensinar? - Papo de Pai

Recentemente, fomos impactados com a morte do ator Flávio Migliaccio, tão presente em diversas produções televisivas globais. Flávio, já presente no imaginário de diversas gerações por conta de inúmeros personagens, tirou a própria vida aos 85 anos. Além da perda inestimável, o que nos leva a questionamentos bem inquietantes é a razão pela qual um ator tão renomado, vencedor do prêmio de melhor ator de televisão em 2019, desiste da vida em uma fase tão avançada de sua existência. 

Ainda não sabemos a razão, e talvez nunca saibamos, do suicídio mas o que podemos afirmar é que casos como esse são mais frequentes do que imaginamos, entre os idosos.

A importância da presença do filho 

O que a trágica morte de Flávio Migliaccio pode nos ensinar? - Papo de Pai

É comum em diversas famílias os pais, que muitas vezes se tornam avós, terem um destino solitário após muito tempo dedicado a criação dos seus. A depressão atinge, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, até 5% dos idosos que vivem em comunidade.

Os números mais do que dobram em se tratando daqueles internados em hospitais (11,5%) e dos doentes em homecare (13,5%). O envelhecimento progressivo da população é um fator importante a ser considerado. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a proporção de pessoas acima de 60 anos vai quase duplicar até o ano de 2050, passando de 12% para 22% do total (de 900 milhões para 2 bilhões de indivíduos).

O que nos leva a pensar, será que estamos dando atenção suficiente a quem nos educou com tanto afinco? O ritmo inebriante das grandes cidades, onde não temos tempo para nada que não seja o trabalho e as obrigações básicas de família, faz com que deixemos de prestar atenção ao momento em que nossos pais nos "libertam" para viver de maneira independente e saem de cena como um Marlon Brando em O Poderoso Chefão, brilhando e saindo do protagonismo sem ofuscar o brilho do futuro pai.

O filme citado, icnlusive, famoso por mostrar de forma brilhante o universo da máfia, nos diz muito sobre o tratamento em família. Embora seja uma história de crimes e assassinatos, a narrativa de Mario Puzo nos coloca em contato com a reverência de um filho ao seu pai e aos ensinamentos dele.

O que a trágica morte de Flávio Migliaccio pode nos ensinar? - Papo de Pai

Nossos pais, os avós de nossos pequenos, que focaram suas atenções durante boa parte da vida em nossa criação, agora se encontram perdidos sem aquela responsabilidade contínua. Passam a ter uma vida solitária em que o filho aparece de tempos em tempos para mostrar como o netinho cresceu. Carrega o fardo da evolução dos tempos, de parecer obsoleto onde deveria ser um poço interminável de aprendizado.

Isso tudo pode explicar a atitude de Flavio, Mesmo que seja o caso de um homem tão bem sucedido, será que, no auge dos seus mais de 80 anos, ele sentia que a solidão era apenas uma palavra de poemas muitas vezes interpretados? Não é nada fácil viver no mundo de hoje, ver seu corpo envelhecer, suas funções mudarem. A individualidade é boa para quem a procura.

Pense nisso, caro leitor. 

 

 

 

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