[ editar artigo]

Meninos não choram?

Meninos não choram?

Meninos não choram, meninos não usam rosa, meninos não brincam de casinha, meninos não brincam de bonecas, meninos não assistem romance, meninos não dançam, meninos não gostam de artes. 

E meninas? Meninas não jogam futebol, meninas não usam azul, meninas não gostam de carros, meninas não são astronautas e meninas não gostam de super-heróis. 


O impacto das restrições por gênero

Um estudo, que levou 6 anos para ser concluído, feito pela Global Early Adolescent Study mostra que o impacto das restrições por gêneros na fase infantil, afetam e muito as crianças na fase da adolescência, segundo o estudo essas regras de gêneros trazem consequências tanto para meninos como para meninas em diferentes níveis. Para meninas, casamento precoce, o abandono precoce dos estudos, gravidez na adolescência e depressão são algumas das consequências que o estudo concluiu. Já os meninos acabam vítimas de violência e estão mais propensos a vícios. O estudo ainda ressalta que essas diferenças são sociais e não biológicas.

Um banho de água fria

Restringir as possibilidades de meninos e meninas não é o mesmo que restringir o futuro deles? Para cada menino não faz isso ou meninos não podem aquilo, há um banho de água fria naquela habilidade que eles poderiam formar, naquele gosto que eles poderiam desenvolver, que talvez até levariam para uma escolha de profissão no futuro. Quantos chefes de cozinha são homens? Mas quantos meninos brincam de fazer comidinha?

Manter esse padrão de gênero que define o papel de homem e mulher adultos na sociedade, como a mulher que tem que cuidar da casa e o homem sair para  trabalhar, não é fechar os olhos para uma nova realidade em que mulheres já ocupam 40% do mercado de trabalho no Brasil? E homens são os que sofrem cada vez mais com distúrbios emocionais, muitas vezes por não terem sido ensinados a falar sobre o que sentem, uma oportunidade dada apenas as meninas. 


O documentário "O silêncio dos homens" traz dados importantes para levarmos em conta no que diz respeito a criação dos nossos filhos: 1 a cada 10 filhos tiveram uma conversa com seu pai do que é ser homem. Esse dado nos mostra mais um estereotipo enraizado, meninos não demostram sentimentos. Mas esse dado pode revelar algo mais profundo: quantos homens já adultos sabem o que é ser homem na prática? Quantos pais projetam em seus filhos uma extensão de si mesmos, projetando o que querem e desprezando a individualidade dos filhos? 

Essa mudança de comportamento já se faz necessária, a força física que por muitas vezes motivou essa diferença e deu ao homem esse poder não se faz mais vista, estamos numa nova era que a força intelectual pesa mais que a física, e isso ocorre indiferente do gênero. 



Quando eu e minha esposa fomos montar o quarto da nossa filha, escolhemos a cor cinza, e eu lembro de pessoas falando que quarto de menina teria que ser rosa, esse papo veio tanto de pessoas das nossas famílias como de vendedores de loja que torciam o nariz quando falávamos de berço na cor cinza. Minha filha até chegou a ganhar enfeites na cor rosa porque ela já tinha cinza de menino demais.

Isso para mim mostrou que ela não era nem nascida mas já estava taxada a gostar de rosa, e de tantas outras coisas que meninas fazem. Mas a gente não pode viver nessa dualidade que vivemos. Quantas possibilidades dentro do universo menina há? Hoje a cor do quarto da minha filha foi escolhida por ela, e a cor é azul, azul do céu, seria o céu só para meninos? O gênero não pode impedir nossos filhos de serem quem eles querem ser.

A formação social de cada um 

A Pedagoga Larissa Ayres explica “Essas crenças culturais e sociais em que os meninos precisam ser fortes sem ser afetuosos, e as meninas calmas e delicadas, são passadas de geração em geração, de forma que quando nós chegamos na posição de adulto é muito característico reproduzir o que fizeram com a gente enquanto criança” 

Larissa completa: ”A criança independente de ser menino ou menina precisa ser criada e educada com carinho e afeto, já que a família é o primeiro meio social que a criança tem contato Nós devemos reconhecer que essas influencias sociais são questões irrelevantes e não limitar as brincadeiras e brinquedos por gênero e sim por idade”  

O que acontece na prática é que crianças ainda não entendem qual é o papel social de cada um, a criança não vê o vovô como homem, nem a vovó como mulher. Esse conceito é absorvido até os 8 anos, que é quando o entendimento do nosso papel social e os deles próprios estão sendo formados na cabeça das crianças, por isso não podemos restringir na infância as possibilidades dessas crianças. Meninos e também meninas não podem é terem suas potencialidades caladas por causa do gênero e escolhas dos seus pais. 

Papo de Pai
Andre Sanches
Andre Sanches Seguir

Radialista formado e pós graduado em Ensino da Língua Inglesa na Australia, descobri no nascimento da minha filha qual seria minha maior vocação e lição. Eu que atuo como professor há quase 15 anos, virei aluno de uma menina já no primeiro dia dela.

Ler conteúdo completo
Indicados para você