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Especialistas explicam o que são pais dramalhões, sem fronteiras e outros tipos

Especialistas que estudam a educação têm produzido conteúdos importantes para entender melhor os comportamentos dos filhos com base no modo de agir dos tipos de pais, como por exemplo os dramalhões, sem fronteiras, entre outros.

Grande parte dessas análises derivam da construção de perfis a partir da resposta que as famílias dão às demandas de diferentes gerações de crianças, ou seja a diferença comportamental de pais e filhos de acordo com o tempo.

Nos últimos anos, as classificações desses especialistas foram de famílias "ao ar livre", ou seja, aquelas que enfatizam a importância da liberdade e da independência da criança, até os chamados "helicópteros" ou "cortadores de grama", que desenvolvem um comportamento controlador e protetor. São esses que tiram os obstáculos da frente e evitam que os filhos possam enfrentar qualquer tipo de desconforto.

Especialistas explicam o que são pais dramalhões, sem fronteiras e outros tipos

 

A análise das pessoas que estudam a educação, não chega a ser uma novidade, como também não é inédito que rotulações surjam para classificar e caricaturar comportamentos e formas de exercer a paternidade.

Entretanto, segundo Claudio Sassaki, é importante criar um canal de diálogo permanente entre pais e professores; um espaço para reflexão franca e que traga uma perspectiva propositiva dos caminhos possíveis para preparar nossos filhos para as demandas do século XXI.

Sassaki é pai de quatro filhos, mestre em Educação pela Universidade de Stanford e cofundador da Geekie – empresa que se tornou referência no país em educação com apoio da tecnologia e inovação – e tem acompanhado polêmicas envolvendo, sobretudo, pais superprotetores e ultracontroladores.

Especialistas explicam o que são pais dramalhões, sem fronteiras e outros tipos

Diante das classificações feitas pelos professores – e com base em sua experiência pessoal e profissional –, Sassaki acredita que esses comportamentos descritos sejam reais, por mais duros ou exagerados que possam parecer em um primeiro momento.

Em sua visão, o olhar atento dos educadores capturou a realidade vivenciada em muitas escolas. Entretanto, é importante que esse "diagnóstico" possa almejar a autorreflexão e o diálogo. Veja abaixo as principais classificações:

Pais dramalhões

Especialistas explicam o que são pais dramalhões, sem fronteiras e outros tipos

O primeiro perfil descrito pelos pesquisadores são os "Dramalhões", ou seja, aqueles (pais ou responsáveis) que transformam qualquer incidente escolar corriqueiro em algo exagerado.

Eles repetem a história para a escola inteira e somente se sentem satisfeitos quando o caso se transforma em uma novela mexicana. Nesse cenário há um agravante: o uso incorreto das redes sociais, os "dramalhões", utilizam esse meio para transformar um problema específico do filho em algo coletivo com  o objetivo de contaminar os demais pais ou responsáveis e envolvê-los em questões que não são de cunho coletivo e por isso são conhecidos como "dramalhões".

Pais especiais

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Os tipos "especiais" têm certeza que, no mundo, não há criança mais importante, singular, inteligente e incrível que o próprio filho; para eles sempre há um motivo para que a criança possa chegar atrasada ou descumprir regras, ou seja, agir acima do bem e do mal.

Segundo a classificação, esses pais acreditam que os filhos não têm culpa de nada. Em diversas ocasiões, mesmo sabendo sobre a culpabilidade da criança ou adolescente, passam por cima de fatos e ensinam, indiretamente, que não existe consequência; que uma atitude certa ou errada não provoca reações. E nem precisamos detalhar o tamanho do dano que esse comportamento e ensinamento traz à esse filho na vida adulta, não é?!

Pai sem fronteiras

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"Sem fronteiras", são os que enviam mensagens diárias aos professores para checar algo , geralmente em horários inconvenientes, claro! eles não percebem que passam dos limites e não usa o bom senso.

Pai clones

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Na categoria  "clone", estão os pais ou responsáveis que estão em todos os lugares: são os últimos a deixar o portão e os primeiros a chegar; estão presentes nas reuniões e não deixam a criança fazer nada sozinha.

Pais superprotetores

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Os "superprotetores", dispensam apresentações, mas vale dizer que para eles, o filho ou a filha nunca apronta; qualquer eventual comportamento inadequado é culpa das outras crianças.

Pais fantasmas

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Por último, os pais ou responsáveis "fantasmas", embora o nome esteja nos documentos da criança, nunca apareceram; uma ausência  aliás que impacta no desempenho escolar do filho.

Na percepção de Sassaki, o contexto da escola contemporânea – e a relação das famílias com essa realidade – explica o fortalecimento desses perfis de pais ou responsáveis e o olhar crítico dos educadores.

Ele pensa que o atrito velado entre docentes e famílias, sobretudo as protetoras e controladoras, têm nos colocado distantes da criação de uma “sociedade educacional”.

Segundo Sassaki, ao fortalecer uma comunidade escolar – um grupo de indivíduos com vínculos e objetivos comuns – é possível construir uma nova lógica de aprendizado. Esse senso de comunidade traz a ideia de construção coletiva da educação, fazendo com que pais, estudantes, educadores e empresas dialoguem; encontrem soluções juntos e sejam corresponsáveis pela educação dos estudantes.

O estudo comportamental dos responsáveis e o reflexo no comportamento das crianças, por meio do compotamento dos responsáveis

Sassaki também destaca que a escola precisa ser um lugar de interação, conversa, troca de ideias, cooperação, enriquecimento cultural e aprendizado. "Precisamos tornar o que hoje está invisível em visível.", afirma. As relações estão enfraquecidas, tornando-se necessário criar um espaço para construir uma solução em conjunto.

Uma reflexão que Sassaki faz, é que a grande ambição dos pais é que os filhos sejam automotivados, porque o futuro demanda a iniciativa e a motivação para sermos aprendizes constantes, independente da área profissional seguida. Para Sassaki, não temos outro jeito de aprender a tomar decisões complexas, se não tomando decisões complexas.

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