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Descomplicando a BNCC

Descomplicando a BNCC

Enquanto profissionais e estudantes da educação, comumente nos deparamos com dúvidas, questionamentos e até debates acerca da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), o que é muito comum tendo em vista sua importância e contribuições para o ensino básico brasileiro.

Embora pareça explicita, a forma como esta se mostra relevante em todo trabalho pedagógico e de grande auxilio no cotidiano dos professores, pouco nos perguntamos sobre as dúvidas dos pais, sobretudo aqueles que nesse período tenso de quarentena tentam se equilibrar entre o trabalho, as tarefas do lar e o ensino dos filhos.

Portanto, se você é pai ou mãe e se sente perdido quanto a este assunto, ou tão pouco sabe do que se trata, saiba que este conteúdo é para você.

Nosso objetivo aqui é não só explicar o que é, e do que se trata a BNCC, mas garantir que o nosso leitor possa compreender melhor as dez competências gerais da educação básica, e assim identificar formas e correções eficazes de aprimorar o ensino dos filhos dentro e fora de casa.

O que é a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?

A Base Nacional Comum Curricular ou simplesmente BNCC, consiste basicamente em um documento norteador de valor e aplicabilidade nacional, cujo propósito é orientar na criação e desenvolvimento dos currículos estaduais e municipais da educação, estabelecendo objetivos e diretrizes para alcance do que se espera como sendo uma educação justa e de qualidade, válida para os estudantes das redes pública e particulares de todo o país.

Talvez você ainda esteja se questionando sobre os âmbitos da educação aos quais a BNCC se destina ou afinal de contas, quais são de fato estas importantes diretrizes?

Antes de tudo saiba que a BNCC se destina a orientar o cumprimento regular de ensino e formação de todos os estudantes da educação básica, ou seja presentes desde a Educação Infantil, passando pelo Ensino Fundamental, e indo até o Ensino Médio, sendo assim é de fundamental importância que você pai ou mãe com filhos em idade escolar se atente as 10 competências gerais da educação básica que explicamos a seguir.

1. Conhecimento

A primeira competência, aqui nomeada de competência do conhecimento, frisa a importância de valorizarmos e utilizamos os mais diversos conhecimentos possíveis, sobre as mais distintas áreas, a fim de entender e explicar a realidade do mundo sobre as mais variadas perspectivas possíveis.

Sabemos que isto não é fácil, afinal nem todos os pais se veem aptos a compreender e demonstrar da melhor forma possível distintos aspectos e áreas do conhecimento, aliás, isso muitas vezes pode ser complicado até mesmo para os professores em sala de aula.

Por isso, o que aconselhamos como mais válido neste momento é aproveitar das dúvidas que são muito comuns e frequentes, sobretudo nos anos iniciais da Educação infantil e do Ensino Fundamental, para fazer destes questionamentos fonte de aprendizado, não só dos filhos mas também dos pais, é sempre valido ressaltar a importância de buscarmos informações confiáveis nesse momento e entender que mesmo a distância as orientações dos professores são sempre bem vindas.

Além disso, quando falamos da construção de uma educação sólida e saudável é preciso ressaltar a importância de não só oferecer a explicação dos fatos mas, também a justificativa pela qual os mesmos ocorrem, já que uma ação fundamental para garantir o interesse das crianças e adolescentes é demonstrar não somente o conteúdo a ser estudado mas também sua importância e aplicabilidade.

2. Pensamento

A segunda competência diz respeito ao estímulo de um pensamento crítico, cientifico e criativo, e aqui precisamos ressaltar algo importante, sabemos que em especial as crianças possuem por si só um instinto investigativo e questionador, naturalmente espontâneo mas, é competência dos pais ou responsáveis garantir que todo este estimulo seja aproveitado e conduzido de forma consciente, sobretudo em tempos obscuros de fake news como o que estamos vivendo.

Além do que, toda essa curiosidade e criatividade infantil se vê limitada frente ao panorama de quarentena pelo qual ainda estamos passando, por isso é sempre válido lembrarmos a forma como o uso consiste e sadio da internet pode nos auxiliar na busca por respostas, e mesmo para aqueles nos quais a internet tem se mostrado um problema nesse período (seja pela ausência da mesma ou pela insegurança e inexperiência de uso) é bom lembrarmos que a ciência está em toda parte e redescobrir aspectos novos do cotidiano sob um olhar mais crítico e atenuado pode ser algo mais simples do que o esperado, feito de casa com base na reavaliação do cotidiano e da forma como realizamos simples tarefas do dia a dia.

Uma sugestão importante é estimular a execução de pequenas experiências em casa, ou ainda incentivar conversas um pouco mais aprofundadas (mesmo para as crianças) isso garante não só a naturalização do aprendizado, bem como estimula de distintas formas o pensamento e pode proporcionar descobertas surpreendentes tanto para quem educa como para quem é educado.

3. Repertório Cultural

Sabemos o quanto o acesso à cultura é desigual em nosso país, ainda mais em um período o qual temos acesso restrito e controlado aos meios públicos de instrução e entretenimento, sendo assim por mais obvio que pareça o estimulo do uso da internet como alternativa as adversidades provocadas pelo Corona Vírus e pela desigualdade em nosso cotidiano, fica difícil sugeri-la de forma geral uma vez que também temos consciência da forma como o acesso a própria é desigual.

Sendo assim, como alternativa vale destacar a maneira como pessoas e até famílias por inteiro têm mudado tanto a sua perspectiva artística como emocional com a aproximação de bens quase que gratuitos e naturais da humanidade, como exemplos podemos citar o uso da música e da natureza, já que o acesso a esses recursos não só proporciona sensação de bem-estar e autoconhecimento, bem como garante maior concernência social.

4. Comunicação

Essa competência aborda a comunicação em suas mais diferentes manifestações. A comunicação afirma a importância do indivíduo se comunicar pelos mais diferentes campos de linguagem, de ações e experiências da vida. Ter uma boa comunicação é conseguir se comunicar, ser entendido e conseguir compreender aquilo que as pessoas transmitem a você.

A comunicação nada mais é que utilizar as diferentes linguagens existentes para expressar aquilo que você quer. Quando escrevemos uma carta, quando fazemos uma pintura ou desenho, conseguimos de certa forma, nos comunicar utilizando diferentes linguagens, e utilizamos a mais apropriada para nós, para aquilo que desejamos transmitir.

Por mais que tenhamos que manter a distância uns dos outros nesse período difícil de quarentena, devemos nos atentar quanto a comunicação já que a mesma deve ser mantida sempre que possível e de forma segura, além do mais vale destacar o quanto a mesma mostra-se um fator fundamental, sobretudo na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, onde muitas crianças ainda estão aprimorando a fala e podem ter seu desenvolvimento afetado em virtude do distanciamento social.

5. Cultura Digital

A cultura digital fala do acesso às novas tecnologias e o desenvolvimento de meios tecnológicos como ferramentas para a aprendizagem, o mínimo aqui esperado é que o estudante poça trabalhar e compreender os diferentes recursos da tecnologia, aplicativos, softwares, celulares, projetores, computadores, tablets, entre outros, já que o esperado nos dias de hoje é que essa criança/adolescente em formação poça se transformar em um adulto plenamente integrado com a sociedade num médio espaço de tempo.

Para a formação de um cidadão capaz de resolver as demandas da sua vida, ele precisa aprender algo relacionado a cultura digital, porque de toda maneira, a própria mostra-se presente em nosso tempo como um bem necessário.

Claro que aqui também caberia uma ampla discussão acerca da igualdade de acesso e da ausência de políticas públicas que possam não só estimular o uso das novas tecnologias, bem como propiciar o acesso de todos, no entanto, sabemos como apesar dos avanços essa ainda é uma realidade difícil de se concretizar no Brasil.

6. Trabalho e Projeto de Vida

Entre outros valores essa competência se refere à importância da liberdade para escolha e exercício do trabalho, e claro, construção do projeto de vida que o ser humano deve ter com consciência e responsabilidade.

Visa valorizar toda a diversidade que temos de saberes, de vivências, de espaços e apropriar-se do conhecimento, das experiências que o mundo possui para que o ser humano possa fazer as suas escolhas pessoais e profissionais, alinhadas ao exercício pleno da cidadania, da educação e do seu projeto de vida, mas com liberdade, sem sermos oprimidos, sem sermos alienados, com nossa própria autonomia.

As escolas precisam trabalhar com ênfase essa ideia do projeto de vida que é muito importante, assim como as famílias, que em conjunto devem fomentar não só o estímulo ao planejamento profissional, mas também pessoal, uma vez que a sociedade tende a nos submeter a uma constante busca financeira o que provoca em grande escala uma abdicação da saúde e do bem-estar pessoal.

7. Argumentação

A sétima competência está relacionada à capacidade de argumentação dos estudantes. A argumentação refere-se a capacidade da pessoa se comunicar com base em fatos. Muitas pessoas começam a discutir, mas sem argumentos para aquela discussão, argumentos para sustentar o que de fato acreditam.

Perceba como até aqui todos as competências parecem estar interligadas e dependentes umas das outras, é impossível para o indivíduo desempenhar uma boa argumentação sem que antes tenha tido acesso a construção de um repertorio livre, seguro e independente.

E para que tudo isso ocorra da forma mais correta possível precisamos ressaltar mais uma vez a importância da parceria família e escola, já que a criança/adolescente em formação precisa sentir-se segura para questionar o quanto achar necessário, à medida em que necessita estar amparada pelo auxílio e acesso a fontes de pesquisa confiáveis e a possibilidade de formar um pensamento crítico, livre e independente.

8. Autoconhecimento e Autocuidado

Essa competência aborda a importância de conhecer a si mesmo, apreciar e cuidar da sua saúde física e emocional, reconhecer suas emoções, bem como as emoções do outro, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. É compreender-se dentro da diversidade, entendendo sua individualidade ao passo que também se entenda dentro do coletivo.

Conhecer a si mesmo é uma tarefa primordial nessa construção. Identificar seus pontos fortes e suas fragilidades, aprendendo a lidar com suas emoções, em busca do equilíbrio emocional. Dessa forma, estamos falando de um processo complexo e delicado tendo em vista as muitas formas de preconceito, violência e pressão social que os estudantes estão diariamente expostos.

Pais e professores devem auxiliar nesse processo de maneira que trabalhem com os estudantes reflexões sobre os hábitos e comportamentos que geram qualidade de vida, e devem ser continuamente praticados. Além disso, práticas que promovam a autoconfiança e auto estima também ajudarão de maneira positiva.

9. Empatia e Cooperação

A nona competência trata de colocar-se e pensar no lugar do outro, dialogar, resolver conflitos, fazer-se respeitar, respeitar ao próximo e aos direitos humanos, acolher e valorizar a diversidade dos grupos sociais, seus saberes, identidades e cultura sem preconceito de nenhuma natureza.

Estamos falando do norteamento que guiará o desenvolvimento da criança e do jovem, propondo atitudes, posturas e comportamentos que eles deverão ter em relação ao outro. Por isso a importância de ser solidário, dialogar e colaborar, com respeito à diversidade, sem formas de descriminação.

Para isso, os pais e professores deverão desenvolver, reconhecer e promover grupos culturalmente diversos, afim de que seus filhos/alunos passem a conhecer e respeitar toda uma vasta diversidade étnica. O ambiente de ensino (assim como a sociedade geral) é um local composto por crianças e jovens que possuem aspectos diferentes, particularidades próprias e formas distintas de enxergar o mundo. Portanto, surge a necessidade de se sentirem representados.

10. Responsabilidade e Cidadania

Por sua vez, a última competência aborda as ações pessoais e coletivas. Trata-se de agir com autonomia, flexibilidade, resiliência e determinação, pautando suas escolhas nos princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Para isso, precisamos de currículos que ofereçam aos estudantes a possibilidade de entenderem seus direitos e deveres, e seu papal enquanto cidadãos. Além disso, que se tornem reflexivos em relação as suas ações, sejam elas pessoais ou coletivas, pensando em quais serão as consequências e impactos que essas causarão.

Para que esse processo se consolide na prática é necessário a participação de toda comunidade escolar. A instituição de ensino deve se tornar um local que paute as ações democráticas, onde o estudante exerça sua cidadania, e cada qual possa dar a sua contribuição.

Considerações Finais

Com a conclusão desse texto esperamos sanar as dúvidas referentes as competências que a BNCC propõe que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Esperamos ter contemplado, sobretudo, os pais que nesse período de pandemia estão dedicando um tempo maior para auxiliar seus filhos nas atividades escolares, visto que estão sendo feitas de maneira remota.

É uma forma de conhecer os documentos que norteiam o trabalho docente, e que são aplicados diariamente em sala de aula para seus filhos. Nesse texto, apesar de termos dado destaque a educação infantil, se trata de práticas que contemplam todas as etapas da educação básica.

Dessa forma, como falado anteriormente, o trabalho dos pais também se configura de maneira extremamente importante em todo esse processo de construção. Uma vez que tenham acesso às competências que são trabalhadas em sala de aula, em casa vocês devem reforçar e complementar todo esse trabalho que já vinha sendo desenvolvendo com os seus filhos.

Caso desejem, aconselhamos fortemente uma leitura ainda mais aprofundada da Base Nacional Comum Curricular, esse importante bem público deve e precisa ser ainda mais engajado em prol de uma educação prospera e consistente.

Conteúdo produzido em parceria com: Tais Fernandes @tais_fernaandes & Vitoria Carolina @vitoriacarolina.gc .

Papo de Pai
Fábio Júnio
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Fábio Júnio, Professor, fascinado pela docência, ensino e educação. Numa urgência, sem pressa!

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