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A presença dos homens no Magistério

A presença dos homens no Magistério

Desde que tomei a decisão de inserir-me no universo da educação infantil, já ao final de 2017, não tenho deixado de refletir sobre a presença dos homens no Magistério e a figura masculina enquanto influência paterna e educadora.

Aliás, mesmo que desejasse, seria difícil ou quase impossível não me questionar acerca desses assuntos, isso porque, quando se é um homem tentando integrar-se à carreira pedagógica esses questionamentos costumam chegar até você, mesmo que indiretamente.

Em um país historicamente machista como o Brasil, marcadamente separado pela sexualização e divisão do trabalho, é comum que vejamos posturas e comportamentos que remetem ao machismo, mesmo em ambientes escolares, como as creches e pré-escolas, onde a atuação profissional é majoritariamente feminina.

A simples presença de um professor pode gerar questionamentos em toda a comunidade escolar, tais questionamentos tendem a se intensificar quando a atuação desse profissional volta-se para educação infantil, e a isso devem-se inúmeros fatores aos quais são comumente apontados por homens que decidem atuar em sala de aula.

Seja de maneira confrontada e direta ou por condutas camufladas e até antiprofissionais, comumente professores do sexo masculino compartilham experiências onde relatam não só uma exclusão em ambiente escolar por aspectos meramente sexuais, como questionamentos que extrapolam o âmbito profissional . 

Existe uma intensa necessidade de ter que provar sua capacidade, de exercer o trabalho para o qual foi contratado. Além disso, questionamentos acerca de sua orientação sexual e real intenção profissional sempre aparecem.

Essa conduta, na qual não ocorre na mesma frequência com mulheres em ambientes escolares, se deve primordialmente a maneira como a figura masculina tem sido estigmatizada com o tempo, em decorrência dos inúmeros casos de abusos sexuais.

Os homens são, em suma maioria, apontados como praticantes desse tipo de delinquência, bem como ao machismo estrutural que ao passar dos anos categorizou a mulher como mais apropriada ao cuidado infantil, o que não só generaliza e exclui a figura masculina, mas desvaloriza a mulher e a atuação pedagógica na formação de crianças.

Esse processo de exclusão dos homens pode começar já na graduação, isso porque 93% dos estudantes de Pedagogia no Brasil são mulheres, o que equivale a 9 em cada 10 estudantes da área. 

Claro que, para a concreta mudança desse cenário, não devemos direcionar somente a universidade brasileira como responsável por incentivar os profissionais masculinos, já que ao meu ver essa intervenção deve ocorrer ainda no ensino infantil.

A naturalização do homem enquanto educador, e sua presença ainda nos anos iniciais da formação infantil, se mostram não só um ato antimachista como instiga pais, alunos, professores e a comunidade em geral, a repensar o lugar do homem na sociedade, desconstruindo estigmas negativos e construindo incentivos dentro da atuação pedagógica.

Dentre as experiencias as quais a educação me deu o privilégio de viver, posso afirmar que perceber o desejo e curiosidade de meninos pela docência, ainda nos anos iniciais da educação infantil, e ser consciente de que tal desejo só foi despertado em virtude da minha presença naquele ambiente, me faz não só repensar diariamente minha conduta enquanto profissional e indivíduo, mas perceber que o professor é sim um agente de transformação social.

Papo de Pai
Fábio Júnio
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Fábio Júnio, Professor, técnico em Magistério e discente de L. Pedagogia, fascinado pela docência, ensino e educação. Numa urgência, sem pressa!

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